Hub Culture

17/07/2009 18h58

Inglês temperado por expressões chinesas, castelhanas, francesas, japonesas, tailandesas... Conversas imediatas, à indiferença da longitude. Falam do que vêem, ouvem, provam, a tamanha distância de casa. Contam com a tecnologia que melhor lhes permita trocar dez linhas em notícias muito pessoais, que lhes transmita de maneira mais rica, instantaneamente, a experiência.

Giram em torno do planeta a trabalho. Ganham bem; gastam mais que bem. Transitam entre empregos como entre endereços. Fazem do trabalho sua vida, ou fazem um trabalho qualquer, que simplesmente permita o sustento nos grandes centros urbanos. Moram transitoriamente em Nova Iorque, Paris, Xangai, Tóquio, Londres, Hong Kong.

São jovens que, muito cedo, puderam ver o mundo. Desde então, souberam rastrear oportunidades em qualquer parte, e cultivar relações que lhes mantenham a par de toda a órbita, ainda que a milhares de milhas.

É através deles que as invenções curiosas da cultura geograficamente mais singular, dos menores pontos do globo, vertem-se nas novas atrações da indústria internacional. É sua maneira de vestir, comer, divertir-se, em cada local, ou em toda parte – pois são mesmo eles que aquecem os acontecimentos internacionais – que traduz o pequeno achado local em tendência mundial: cozinha fusion, mix oriente-ocidente nas roupas, tecnologias portáteis, pontos turísticos. São seus e-mails que, antes de qualquer mídia, introduzem as novidades aos mercados, e é a eles que a produção criativa multinacional está atenta.

Esses jovens, e todos aqueles que agora se conectam a eles, fizeram surgir uma cultura própria, que pulsa nos eixos eletrônicos da globalização. “Hub culture”, diz Stan Stalnaker. Há mais semelhança entre suas vidas em Tóquio, Quebec, Roma, Estocolmo e Barcelona, que entre o cotidiano de Roma e sua pequena vizinha Rieti, ou Tóquio e Nanao.

Stalnaker é diretor de marketing do grupo Fortune para a região da Ásia e Pacífico. Vivendo entre Londres e Hong Kong, ele apresenta essa cultura descoberta em sua própria história.

Uma nova relação com o consumo, com o dinheiro, com o tempo, com as origens. Uma nova rede de contatos, em que amizades são mais decisivas que escolhas profissionais. Uma nova percepção do espaço, em que as cidades têm mais personalidade que países, e transformam-se umas as outras quase à revelia do mundo off line, “off hub”. Um novo laço social.