Por Bernard-Henri Lévy, ao “mal informado” Accoyer

17/07/2009 13h15

Andréa Naccache

Editorialista da revista francesa Le Point, o filósofo Bernard-Henri Lévy toma posição no debate da chamada "emenda Accoyer", projeto de reforma legal que regulamenta os tratamentos psi na França, com a conseqüência de restringir a prática psicanalítica a médicos e psicólogos.

O projeto de lei do deputado Bernard Accoyer foi aprovado por unanimidade na Assembléia de Deputados francesa, e aguarda votação pelo Senado. Proposto e votado de maneira discreta, sem grande debate e à revelia do público, não foi combatido, como mereceria.

Desde sua aprovação pelos deputados, enfim uma reação dos psicanalistas. Jacques-Alain Miller mobiliza-se. A resistência tem início.

Em 21 de novembro, Bernard-Henri Lévy escreve à Le Point:
"faut-il répéter aux étoudis que les écoles analytiques ont toutes leurs disciplines et leurs procédures de validation, leurs techniques d'évaluation affinées par des décennies d'écout et de parole, leurs anlyses didactiques, leurs séminaires, leurs stages cliniques, leurs controles? il faut rappeler, oui; il faut rappeler, aussi, que la formation d'un analyste prend souvent plus de temps que celle d'un médicin".

Privilegiar a formação universitária é tomar distância, diz ele, da reflexão freudiana sobre as noções de normal e patológico, saúde e doença, remédio e irremediável: "comme on est loin, avec cette furieuse volonté de guérir, de la plus forte idée du freudisme, de celle dont nous avons tous, au XXe siècle, par-delà même la question des troubles mentaux, le plus profondément appris et qui est celle de l'impossible guérison!"

Lévy confia na formação psicanalítica, marcada pela impossibilidade da cura. Daí a conclusão não tão inusitada, mas que pode surpreender a toda uma Câmara de Deputados, e, lamentavelmente, também a alguns analistas: que os analistas sejam os mais competentes na formação de analistas.

"Faisons barrage, ici aussi, à la marée noire des occultismes. L'amendement Accoyer, j'espère, ne passera pas".

(leia o texto integral em www.lepoint.fr)